Tag: time enxuto

  • De R$ 1 por página a R$ 300 mil pelo WhatsApp: o que muda quando a única constante é resolver com o que se tem

    De R$ 1 por página a R$ 300 mil pelo WhatsApp: o que muda quando a única constante é resolver com o que se tem

    Prefere ouvir?

    Este artigo tem narração em áudio, na minha voz clonada por IA. Aperte o play e ouça enquanto faz outra coisa.


    Ribeirão Preto, curso presencial de instalação de painéis solares. Um telhado de barro montado sobre o chão — nem era um telhado de verdade. E eu ali, olhando para aquilo, pensando: eu estudei 250 horas para isto?

    Tinha acabado de fundar a primeira empresa de energia solar de João Monlevade. Seis módulos de certificação na Blue Sol. Aproveitamento entre 92% e 100%. E bastou um telhado de treinamento rente ao chão para eu perceber que altura não era pra mim. Nem um metro. Nem de mentira.

    Essa pergunta — feita diante de um telhado de treinamento que nem era de verdade — criou tudo que veio depois. Se eu não subia em telhado, o que eu fazia com 250 horas de energia solar, um curso técnico e 12 anos de experiência em web e marketing?

    A resposta veio meses depois, com a entrada dos sócios: marketplace. Não vender e instalar painéis — construir a plataforma onde outros vendem e instalam.

    Cada pivô da minha carreira seguiu esse padrão: um problema que parecia perda virou o melhor investimento que eu fiz. Medo de altura virou marketplace. Startup morta virou carteira fixa. Três faculdades sem diploma viraram 800 horas de problemas resolvidos. Não porque eu sou resiliente — porque o meu modelo de operação ganha com o erro.

    Se você é fundador técnico de time enxuto, esta história provavelmente é a sua também.


    O AMD K6 e o mundo antes do Stack Overflow

    Em 1998 eu tinha 11 anos e o único computador do bairro. AMD K6, 4GB de HD, Windows 98. As pessoas pagavam pra eu formatar monografia na ABNT. Cobrava R$ 1,00 por página. Datilografia e formatação. Aos 11.

    Não era vocação. Era o que eu sabia fazer com o que eu tinha.

    Aos 15, curso técnico em informática. Aos 17, freelancer de design e web. Em 2004 era Internet Explorer 6, onde tudo quebrava. Não existia Stack Overflow em português. Quando eu travava num erro, lia documentação em inglês — como podia — e testava até funcionar.

    Entrei na UFES para Design Gráfico e transferi para a UEMG em 2007. Em 2010, entrei na Zavala Propaganda — onde montei o site da Aneethun e os sites em inglês e espanhol da Bio Extratus. Internacionalização de marca de cosmético mineiro, quando “site responsivo” ainda era novidade.


    O DENATRAN, os policiais e os aparelhos hackeados

    Em 2012, GCT em Belo Horizonte. Gerenciamento e Controle de Trânsito. Meu cargo: assistente de informática. Meu trabalho real: QA na homologação do primeiro talonário eletrônico certificado pelo DENATRAN no Brasil.

    Um aparelho eletrônico que substitui o bloco de papel que o agente usa para multar. Cada campo, cada fluxo, cada validação tinha que funcionar perfeitamente — porque, se não funcionasse, o DENATRAN não homologava. E, se não homologasse, o projeto inteiro morria.

    Acompanhei a auditoria federal presencialmente. Sempre tem coisa que precisa ser ajustada no calor de uma auditoria dessas. O programador era competente. Passamos.

    Depois, 16 cidades pelo Brasil treinando equipes. Salvador, Uberlândia, Governador Valadares, Feira de Santana, Teófilo Otoni. Cada cidade com hardware diferente e gente que não queria usar o sistema. Policiais militares, guardas municipais e agentes de trânsito que às vezes preferiam o talonário de papel à tecnologia.

    E o problema que ninguém previu: os agentes hackeavam os aparelhos. Instalavam WhatsApp, jogos, aplicativos pessoais num equipamento que era exclusivamente para lavrar auto de infração. Tivemos que implementar ferramentas de bloqueio.

    Implementei suporte remoto — e isso mudou a operação. Dezenas de aparelhos por semana entre manutenção e novos para configurar. O que levava dias passou a levar horas. O que às vezes deixava um profissional sem equipamento na Bahia por uma semana passou a ser resolvido no mesmo dia.

    O que aprendi na GCT não cabe em certificado: debugar sob pressão com o governo federal na sala, e treinar gente que não quer aprender.


    A Oak: 200 parceiros, 50 usinas, e uma lei que mudou tudo

    Depois do telhado em Ribeirão Preto, o pivô para marketplace criou a Oak Energia — o primeiro marketplace de energias renováveis do Brasil. Não só solar: fotovoltaico, micro centrais hidrelétricas, biodigestores, turbinas eólicas de eixo vertical.

    200 empresas integradoras cadastradas como parceiras. 50 usinas vendidas e homologadas na plataforma em diversas cidades do Brasil. Canal no YouTube com conteúdo semanal. 3 edições da Feira de Sustentabilidade do Médio Piracicaba. A ideia era muito bem recebida onde quer que falássemos — no Brasil ou fora. Nunca vimos nada igual.

    Fiz a Fórmula de Lançamento porque precisava de tração. O SEBRAE Fast Motion nos convidou para acelerar. Conversas com investidores. Em paralelo, entrei na UFOP para Engenharia de Computação — 1º lugar geral. Cinco períodos conciliando faculdade e startup. Parei na pandemia. Não voltei.

    Combinamos entre os sócios um prazo de 5 anos. E, como tantas startups, não viramos unicórnio.


    A reunião

    Processos de venda longos. Homologação demorada. E a ANEEL revisou as normativas sobre autogeração de energia. A insegurança jurídica congelou o setor inteiro.

    Não foi um dia dramático. Foi uma reunião entre sócios. Olhamos para os números, para o prazo de 5 anos que tínhamos combinado, para o cenário regulatório. E decidimos que cada um seguiria seu caminho.

    Seis anos. 200 parceiros. 50 usinas. 3 feiras. Um canal no YouTube que existe até hoje como lembrança. E a empresa parada, pronta para retomar se alguém quiser comprá-la.

    A maioria das pessoas olha para esse parágrafo e vê fracasso. Eu olho e vejo o seguinte: perdi a empresa, mas não perdi nenhuma capacidade. Sabia construir plataforma. Sabia fechar vendas de 300 mil reais pelo WhatsApp, sem conhecer o cliente pessoalmente — e com um cliente que nunca estava de bom humor. Sabia organizar 200 parceiros que nunca se viram. E sabia recomeçar.

    O custo do erro foi 6 anos. O ganho do que aprendi com o erro construiu tudo que veio depois em semanas. Isso não é resiliência — resiliência é aguentar o golpe. Isso é ganhar com o golpe.


    O cemitério que chegou antes do nome

    A transição foi imediata. O primeiro cliente veio por indicação — um cemitério — antes de a empresa ter um novo nome.

    Pensa no que isso significa. Um cemitério confia a operação digital dele a alguém que acabou de fechar uma startup. Não me conhecia pessoalmente. Me indicaram. E o sistema que eu montei precisava funcionar quando uma família enlutada resolvesse quitar uma parcela no domingo à noite. Sem margem. Sem “vamos ver se funciona”. Se o portal falhasse, a família voltava para casa sem conseguir resolver o que veio resolver.

    Esse é o nível de confiança que sustenta o que fazemos. E o nível de consequência que moldou toda a operação desde então.

    A Juliana — internacionalista com pós-graduação em Engenharia Econômica — foi assumindo gestão, conteúdo, estratégia. Não é designer que virou CEO. É alguém que entendeu que conteúdo estratégico é o que sustenta carteira de cliente no longo prazo.

    Quando escolhemos o nome “Evolutiva Negócios Digitais”, a agência já operava havia meses. Os clientes vieram antes do nome.


    O que fazemos e por que funciona

    Dois fundadores. Carteira fixa há 4 anos. Nossos clientes são cemitérios, casas de câmbio e e-commerces.

    O portal de pagamento 24h do cemitério, com atendimento omnichannel e equipes de plantão, precisa funcionar sempre. Se falhar, a família enlutada não é atendida na hora, e quem precisa dos serviços com urgência não consegue usá-los.

    O chatbot da casa de câmbio precisa responder a cotação certa. Se falhar, o cliente recebe um número inventado e perde dinheiro.

    O antifraude do e-commerce precisa acertar. Se errar, um cliente legítimo é bloqueado e nunca mais volta.

    Se o sistema falha, perdemos o cliente. Não temos camada de proteção, não temos departamento jurídico, não temos investidor cobrindo o prejuízo. É isso que nos torna confiáveis — a pele no jogo é real.

    Três camadas sustentam a operação:

    Scrum adaptado para portfólio. Sprint semanal cobrindo todos os clientes. Meta binária de 5 itens — passou ou não passou. Uma única grande coisa por dia. Três mãos por card: quem fez não verifica, quem verificou não move. 7 sprints completas, retrospectiva toda sexta.

    IA soberana. Modelos de linguagem rodando na nossa própria infraestrutura — custo zero por consulta. Não é “usamos ChatGPT”. É: temos um servidor com modelos que conhecem o negócio de cada cliente. O chatbot do cemitério agenda visitas. O da casa de câmbio responde sobre cotação com dados reais. O do salão conhece o histórico de 82 mil atendimentos dos últimos 15 anos. Quando o fornecedor de IA triplicou o preço — e isso já aconteceu três vezes desde 2023 — nossos clientes não sentiram.

    260 problemas resolvidos e documentados. Cada problema vira procedimento reutilizável. Cada erro vira armadilha documentada. Deploy em produção caiu de 45 min para 8. Relatório mensal, de 4h para 40 min. A base cresce toda semana — efeito composto aplicado à operação.

    Publico estes números porque levei 6 anos para achá-los — e ninguém deveria precisar de tanto tempo.


    Os números que não cabem em diploma

    3 faculdades: UFES, UEMG, UFOP. Nenhum diploma. 1º lugar geral em Engenharia de Computação.

    800 horas de cursos e treinamentos com certificação de 12 emissores. De Google Ads a energia solar fotovoltaica. De UX Research a negociação avançada.

    Credenciais formais são frágeis — perdem valor quando o mercado muda. Capacidade de resolver problemas novos é antifrágil — ganha valor quando o mercado muda.

    As 250h de solar pareciam inúteis. Até que eu precisei modelar um investimento de R$ 50 mil. As 444h de Alura pareciam “curso básico”. Até que eu precisei construir um sistema inteiro sozinho.


    Para quem se reconhece

    Se você opera com time enxuto e o gargalo é tempo, não talento — a saída não é contratar mais gente. É multiplicar o que cada pessoa resolve.

    Quatro anos de carteira fixa. Dois fundadores. Zero clientes perdidos por falha técnica.

    Lista completa de cada curso: evolutivanegociosdigitais.com.br/certificados-joao-vitor/

    Atendo 4 clientes fixos. Se você quer trocar ideia sobre IA soberana, Scrum adaptado ou como operar com time enxuto antes que a agenda feche — me manda mensagem no LinkedIn.